O que é mais importante afinal nessa vida? O sorriso de uma criança, uma história bonita do vovô, a comida da vovó, um abraço da mamãe ou ser o orgulho do papai? De repente, podíamos sair do sentimentalismo e partir para outras coisas importantes como um emprego super bacana, ir nas melhores festas, ter uma juventude incrível ou uma velhice confortável. Viajar e conhecer o mundo, quem sabe? O que poderíamos escolher, diante de todas estas coisas, de mais especial, mais único? Aliás, o que diante de tudo faz nossa vida valer a pena? Eu diria que é tudo. Até brigar com o garoto que a gente se enrola, brigar com a melhor amiga e fazer as pazes antes mesmo de sentir o coração pesar de verdade. Sei lá, na lista também poderia entrar gabaritar ou zerar aquela prova, aprender a nadar/andar de bicicleta, fazer o gol decisivo do seu time ou ir assistir seu filme predileto no cinema pela primeira vez. São tantas coisas que a gente dá valor, sabe? Dizem coisas tão ruins do ser humano, mas já cansei de ser a crítica… Eu realmente gosto de ressaltar o quanto nós sabemos dar valor, ou pelo menos demonstrar que damos. Antes de falar o que eu realmente acho que vale mais do que oxigênio, eu queria lembrar que se tem algo importante pra você nessa vida… Não deveria perder a cabeça por qualquer outra coisa. Opa, outra coisa importante deu errado? Mas, uma certa e outra errada, dá neutro. Fique neutro(a), seja racional e visualize como uma coisa acaba por compensar a outra, se realmente damos o valor com a maior sinceridade possível.
Entretanto, voltemos à resposta da pergunta que fiz no início. Eu diria que isso tudo, é uma verdadeira salada rara que nós nos alimentamos todos os dias e nos mantém mais vivos do que nunca, sempre. Apesar de tudo fazer parte de um todo, eu diria que vai muito além disso. Eu ditaria como suprema raridade que precisa de valor todos os dias o quanto você se pertence e tem consciência do que você é nesse mundo. Tem consciência de que todos somos unidos, nem que seja por andarmos, bebermos e comermos da mesma forma. O mais importante é o quão humano, de coração quente, você consegue ser. Essa é a base para alcançar a felicidade, a sensibilidade para uma vida inesquecível, vivida com intensidade em cada minuto singular. Então, não esqueça-se de que todos precisam de compreensão, tanto quanto ti. Todos precisam de amor, de conselhos, de sorrisos e risadas. Obviamente, assim como você merece, todos precisam de uma ironiazinha, uma zoada bacana. Lembre-se que no fundo estamos mais ligados do que unha e carne. Se um meteoro atingir a terra, vai mesmo me dizer que não vai desesperadamente procurar alguém para ficar perto? De solidão, chorou a lua.

— Raquel Lopes.

Capitão, pode seguir com o barco. Entramos em mar aberto, não é? Diga ao futuro aventureiro que ele só entra, se me mostrar o passaporte, com foto recente e me dar o telefone da mãe também. Se não tiver mãe, do parente que tiver mais laços. Eu quero me certificar direitinho que este tal aventureiro existe, que não tem histórico de mentiroso e que ainda por cima, está aqui e deu notícia em casa. Ah, e que não sabe nadar. Não quero ninguém que entre neste barco para sair nadando e acabar por me deixar sozinha, jogando campo minado com o notebook. Diga também que eu não sou chata, mas fico chata constantemente. Pode acrescentar minha falta de talento com comida, não aguento mais estes que chegam aqui e reclamam depois de dois dias seguidos comendo sorvete e lasanha de microondas. Estou cansada, sabe? Não me olhe assim, Capitão, você sabe muito bem que ter o trabalho de enlaçar alguém… Fortalecer o laço e depois ver que o desinfeliz meteu o pé. Eu acho que tínhamos que ver se encomendávamos cordas mais fortes. Me explica, como eles conseguem romper os laços e fugir tão facilmente? Fugir, logo de mim? Eles disseram que me amavam, todos. Me a-ma-vam. Me explica, por que alguém que ama quer fugir? Fu-gir. Me sinto até uma sequestradora! E aquele que nem a mãe, nem o pai, nem o melhor amigo sabiam que estava aqui passando umas semanas no barco comigo? Mas, ele passa bem, capitão. Felizmente. Eu não desejo o mal de ninguém que já tenha pisado neste meu barco! Dividir um espaço tão pequeno, tão cheio de mim e tão desajeitadinho em mar aberto parece tão… Claustrofóbico pra mim. Quem é que de fato vai querer? Nove meses, o último aguentou nove longos meses. Foram os melhores que eu já vivi. Fui mimada, você lembra? Café de manhã na cama, víamos as estrelas e tivemos cenas melhores que as do Titanic.
Sabe o que eu notei? Quanto melhor for a pessoa, maior o barco fica. Quando pior, menor. Enfim, por que estou a tagarelar tanto contigo? Sei que precisa guiar este velho barco e esta velha espécie em extinção que eu sou à algum lugar seguro. Seja bonzinho comigo, Capitão. Quero que o próximo fique, cansei disso de despedidas. Como assim? Eu quero dizer que, se você não arranjar alguém que assine que irá permanecer, eu prefiro ficar sozinha navegando por aí. E no contrato, não coloque os termos em letras pequenas! Não tenho nada contra míopes, quero todos sabendo muito bem onde estão se metendo. Não me olhe assim, Capitão. Tudo, tudo menos pena. O que tem para o almoço?

— Raquel Lopes.

A chuva não vai embora, o tempo frio invade a alma e a vontade de desligar as luzes e ficar ouvindo a nossa música não é pouca. Sei lá, eu não diria que é a “nossa música” sem ter parado para pensar na letra nos mínimos detalhes. Já pensei tanto nisso, já pensei tanto em nós dois. Sento devagar, abraçando os joelhos e respirando devagar o suficiente para me concentrar apenas em inspirar e expirar. Por que sempre é tão difícil? Por que simplesmente não posso esbarrar em um cara igual a ti que seja meu vizinho e de quebra, tenha um pouquinho mais das minhas visões abstratas? Apesar de te amar (muito) acho que é sacanagem esse meu jeito confuso, todo errado e impulsivo. Eu ia acabar me sentindo um problema pra você, cedo ou tarde.
Tecnicamente, é contigo que eu queria ir ao cinema e ao centro cultural do banco do Brasil. E é contigo que eu queria ir à palestras sobre conscientização, à shows únicos e ao cinema no domingo a tarde. Nós íamos ser tão bonitinhos juntos, apesar da aparente normalidade. Não somos atores de cinema, nos contentamos em simplesmente ser só nós e eu acho que este seria nosso charme. Sei lá, contigo eu posso ser eu mesma e você acha até graça, acha até bonitinho isso. Você é um ótimo melhor amigo. É nessas horas que eu respiro e sinto o ar frio entrando, que deixo minha alma esfriar também e ver que isso é loucura. Nunca vai ser nada além de uma menina meio cabisbaixa ouvindo músicas de um amor discreto, real, impossível e irônico. Meio sorriso pro destino, que está rindo à uma hora dessas. Eu sei que eu não vou ficar triste pra sempre, sei que vai chegar um cara especial e melhor pra mim mas sabe quando dá uma insatisfação enorme porque a única coisa que você realmente queria, não vai acontecer?

— Raquel Lopes.

Em homenagem à ti, não ouço mais a nossa banda. Respiro fundo antes de dormir na cama que eu compartilhei tantas vezes falando contigo, amando só a ti durante tanto tempo. Não foi só um ano, foi bem mais do que isso. Cada vírgula minha, se sente estranha e perdida sem as suas vírgulas que faziam das minhas, seres completos. Veja só, você fazia minha vírgulas virarem gente. Eu te amo, saiba disso. Não deu certo, nós tentamos e não deu certo mas eu te amo. Não vou deixar de te amar, uma parte minha vai ser sempre sua e eu desconfio que esteja contigo, refletindo no buraco que está aqui no peito. Podem até estar jogando adubo em cima, tampando ou disfarçando mas saiba que eu jamais esquecerei do nosso primeiro beijo, do seu primeiro sorriso e daquele último abraço. Último, que a gente não sabia que ia ser o último mas acabou sendo. Seja feliz, meu bem. Seja feliz, porque isso está no seu DNA. Sorrir e fazer palhaçada, já no meu… No meu está aguardar. Aguardar o que a vida tem para me oferecer.

— Raquel Lopes.

Suspiro e olho pro céu, escuro que só ele. Escuro e só, só ele mesmo para merecer um suspiro tão sincero nesses últimos tempos. Leio horóscopo, leio trechos de livros e conselhos de amigos… Tudo está se encaixando perfeitamente no fato: Está na hora de ficar mais calada, aliás, menos falante. Tudo é motivo para refletir, tudo é motivo para ficar mais aqui dentro do que aí fora. Não sei se isso é bom, admito. Aula de filosofia virou tormento, tudo que eu mais quero é desligar um pouquinho o tico, mandar o teco ir dormir. Só ser espontânea e esbarrar em alguém, entrar em mais uma história de amor e fingir que a última já está superada. Ela está, não está? Aliás, terá isso tudo a ver com amor? Ou é só uma daquelas coisas que todo mundo passa na adolescência e é parte do crescimento emocional e mental? Ahá, só te digo uma coisa: Não estou equipada emocionalmente, para receber mais equipamento emocional. É como se você quisesse me dar uma super mochila, com tudo que eu preciso pra sobreviver nesse mundo tão intenso emocional, mas eu não tivesse estrutura para aguentar o peso dela. Refletindo mais um pouco, escrevendo desse jeito estarei eu malhando? Malhando para conseguir segurar a mochila e um dia, finalmente, sair dessa fase profundamente interna e restrita à mim? É, espero que as horas passem rápido. 24 horas dentro de mim, é algo um pouquinho perturbador as vezes. É como se fosse um bloco do eu sozinho, onde eu sou a minha melhor e pior companhia. Obrigatória companhia.

— Raquel Lopes.

Ela intimidava à eles, decidida e ao mesmo tempo tão frágil. Ela só queria alguém que cuidasse dela mas que não deixasse óbvio que estava cuidando, ela só queria alguém que fizesse isso por vontade própria e que ela não precisasse dizer nada. Definitivamente, alguém que parecesse ter um manual de instruções para evitar qualquer pergunta de “Eu devo?” ou “Você vai se importar se?”, ela estava cansada desse tipo de coisa. Queria sentar em um canto qualquer sozinha, mas no fundo não se sentir sozinha. Queria se sentir segura e sentir que podia errar. Queria sentir e não ter que adivinhar.

— Raquel Lopes.

E eu juro, do meu maior fio de cabelo até o meu dedinho do pé, que eu estou com medo. Eu estou morrendo de medo. Me sinto tão perdida, que parece que eu sou uma daquelas personagens das histórias que eu tanto li. É isso que acontece quando se ama demais, não é? Eu já amei demais, duas vezes e eu não estou pronta para amar uma terceira. Então, cada vez que eu checo para ver se as borboletas estão no meu estômago quando eu vejo você falando comigo, é um momento de tensão onde eu torço com todas as minhas forças para elas ainda não terem chegado. Eu já te amo, você sabe muito bem disso. Nós somos conectados, nós realmente damos certo juntos. Só que eu não estou pronta para a paixão, para só conseguir respirar você. Eu realmente não estou pronta para te apresentar pros meus pais e dormir pensando que realmente você é tudo que eu sempre precisei, ainda preciso e precisarei. Me desculpa. Eu só quero evitar o abismo que eu já conheci, eu só não quero me esborrachar no chão de pedra. Espera até as cicatrizes fecharem? Elas vão, eu juro. Eu sou um bichinho que gosta de estar junto, gosta de não se sentir vazia mas preciso me encher com outras coisas. Preciso me encher com sonhos, focos, independência. Descobrir o que eu de fato gosto, e não de quem. Quero aproveitar ao máximo essa inteligência que me é roubada sempre que me apaixono, sabe? Eu sei que cedo ou tarde, eu vou ser completamente sua e por alguns momentos, em algumas noites, eu sou sua. Eu já não consigo mais ser racional e me negar a escrever sobre você, isso já é preocupante. Entretanto, este aqui é como se fosse um pedido de desculpas, um clarão no meio desse meu sentimento tão perdido e confuso. Eu te amo, só falta eu enlouquecer por você. Só que antes disso quero descobrir mais um pouquinho do que eu sou, de como eu consigo me virar sozinha e do que eu quero pra minha vida. Depois disso, eu juro que serei a de vestido branco com o buquê na mão.

— Raquel Lopes.

Eu tive um sonho engraçado. Você sabe, mais um daqueles meus doidos e incríveis sonhos. O sonho começou no primeiro dia que a gente se viu, e foi passando de sorriso em sorriso. No primeiro sorriso, segundo sorriso e naquele terceiro sorriso que eu dei quando você não estava olhando. Acho que foi quando eu notei que tinha ido mesmo com a sua cara, que não podia te deixar escapar. Você é tão diferente. Relaxa, jamais te diria isso com essa seriedade toda. Jamais admitirei que isso aqui é pra você. Enfim, se é pra viajar… Me deixa viajar. Vou contar logo como continuou o sonho. Teve uma hora, que eu lembrei do último abraço que a gente deu e de como eu pensei “Não, por favor, que eu não sinta tanta falta dele assim”. Desculpe, mas eu sempre tive aversão a sofrer e fatalmente eu sofreria sentindo a falta do meu melhor amigo. Mas, depois que a vida continuou… Seu lugar não ficou vazio, você não se levantou. Na verdade, você só conquistou mais espaço e no sonho eu lembrei de quando eu te liguei pra dar feliz aniversário. Como eu decorei? Sei lá. Aí do nada a Alice, do país das maravilhas, apareceu correndo. Ela estava atrasada. Misturei a Alice com o coelho? Só questão de detalhes. Mas, faz sentido… Eu misturei uma outra coisa também. No final do sonho, a gente estava juntos. Abraçadinhos, cheios de frio no aeroporto. Viajando pra Porto Alegre no meu aniversário, nossa primeira viagem sozinhos. Você estava tagarelando e eu morrendo de sono, mas eu tentava te ouvir e no sonho tudo parecia tão real que eu acho que meu sono pesou mais ainda na hora. Que vontade de dizer que te amo, só pra ver se esse sonho vira realidade. Vontade de te acordar e falar sobre tudo que eu acho que eu sinto, que eu venho sem dúvidas acreditando durante um tempo. Mas, não. Não vale a pena. Porque a Alice continua sendo a Alice, perdidinha e não tão preocupada com a hora. E eu, continuo sendo eu mesma. Perdidinha e nada do que você quer pra você.

— Raquel Lopes.

Andar, comer, beber, dançar, estudar, brigar, fantasiar, mudar, inventar, reinventar, dormir, chorar, gritar, falar, escutar, ligar, desligar, ter, desfazer, afastar, juntar, beijar, abraçar, chatear, festejar, depreciar, fechar, abrir, cantar,orar, sussurrar, compartilhar, dar, doar, visitar, sonhar, brincar, desejar, amar. Amar, gostar, odiar, sentir. Compor, escrever, pecar, perdoar.

Andar com alguém. Comer, com alguém. Beber, com alguém. Dançar, com alguém. Estudar, com alguém. Brigar, com alguém. Fantasiar, com alguém. Mudar, com alguém. Inventar, com alguém. Reintentar, com alguém. Dormir, com alguém. Chorar, com alguém. Gritar, com alguém. Falar, com alguém. Escutar, com alguém. Ligar, com alguém. Desligar, com alguém. Ter, com alguém. Desfazer, com alguém. Afastar, com alguém. Juntar, com alguém. Beijar, com alguém. Abraçar, com alguém. Chatear, com alguém. Festejar, com alguém. Depreciar, com alguém. Fechar, com alguém. Abrir, com alguém. Cantar, com alguém. Orar, com alguém. Sussurrar, com alguém. Compartilhar, com alguém. Dar, com alguém. Doar, com alguém. Visitar, com alguém. Sonhar, com alguém. Brincar, com alguém. Desejar, com alguém. Amar, com alguém. Gostar, com alguém. Odiar, com alguém. Sentir, com alguém. Compor, com alguém. Escrever, com alguém. Pecar, com alguém. Perdoar, com alguém.

Andar, por alguém. Comer, por alguém. Beber, por alguém. Dançar, por alguém. Estudar, por alguém. Brigar, por alguém. Fantasiar, por alguém. Mudar, por alguém. Inventar, por alguém. Reintentar, por alguém. Dormir, por alguém. Chorar, por alguém. Gritar, por alguém. Falar, por alguém. Escutar, por alguém. Ligar, por alguém. Desligar, por alguém. Ter, por alguém. Desfazer, por alguém. Afastar, por alguém. Juntar, por alguém. Beijar, por alguém. Abraçar, por alguém. Chatear, por alguém. Festejar, por alguém. Depreciar, por alguém. Fechar, por alguém. Abrir, por alguém. Cantar, por alguém. Orar, por alguém. Sussurrar, por alguém. Compartilhar, por alguém. Dar, por alguém. Doar, por alguém. Visitar, por alguém. Sonhar, por alguém. Brincar, por alguém. Desejar, por alguém. Amar, por alguém. Gostar, por alguém. Odiar, por alguém. Sentir, por alguém. Compor, por alguém. Escrever, por alguém. Pecar, por alguém. Perdoar, por alguém.

Preposições que mudam todo o sentido desses verbos, verbos que mudam todo o sentido da vida. Sabe, em alguns casos pode ter ficado estranho, no fundo cada um sabe o que faz todos os dias, mas ficaria bem melhor se fizesse com alguém. Eu estava caminhando hoje e vi uns mendigos jogados no chão, sabe? Ok, isso está virando uma coisa normal mas eu me pergunto se sempre na vida deles foi assim. Porque amigo que é amigo, que está lá junto com a pessoa, ajuda… E com ajuda, duvido que eles estivessem na situação em que eu vi. “Mas, tem gente que está ali porque quer”. Eu estou me referindo aos que não tem opções. Estou me referindo aos que não tem outra realidade. Aos que já não tem mais sonhos. A vida é curta demais e se cada um ajudar uma pessoa durante a vida inteira, duas vidas vão ser edificadas e sem dúvida, muito melhores do que seriam se estivessem na individualidade natural do ser humano. Não digo fazer esses verbos com mendigos, sabe? Nem com pobres, nem com necessariamente pessoas que aparentem precisar. Acho que a nobreza no gesto, é fazer com qualquer pessoa. Com aquele seu melhor amigo, com aquela sua amiguinha, com aquela garota que você odeia! Ah, lembra daquela menina invisível que senta lá na última carteira e é só tocar o sinal pra ela estar fora de sala? Podia colocar em prática o verbo ‘conhecer’, porque aí, eu diria que você pode se ‘surpreender’. E sabe aquele menino esquisitão que só serve pra você colar? Você poderia mudar o verbo ‘colar’, por ‘estudar’, e quem sabe ‘aprender’, com esse cara que até agora só era usado. E de uma maneira negativa. Eu acho que o mundo está doente. E a doença se chama “falta de atenção”. Me pergunto se os pais do Bruno conversavam com ele, ou se alguma vez na vida, ele viu e aprendeu como tratar uma mulher. Me pergunto se os traficantes quando criança eram tratados como invisíveis ou como vagabundos. Sinceramente, se todas as crianças fossem tratadas bem, muito bem, e tivessem toda a atenção que necessitam(num aspecto positivo), elas seriam adolescentes e pessoas melhores. Não, não seriam mimadas. Eu disse atenção, mas é em relação a conversa, sabe? Dividir, compartilhar e ajudar, são verbos que tem que ser ensinados desde quando elas nascem, mas.. Com conversas, tempo e sabedoria. O que falta hoje, é a sabedoria. Sabedoria e amor, na minha opinião.

Mas enfim, só quis comentar isso porque eu realmente me importo com o mundo em que meus netinhos, bisnetinhos e tataranetinhos viverão.


— Raquel Lopes.

Nós estamos longe, fisicamente falando. Mas, tão perto quando o assunto é conexão. Acho que me senti conectada à você no primeiro dia que você me balançou de um lado pro outro, dando um daqueles seus ataques. Era tão bom começar o dia falando contigo, mas a gente só se falava depois da segunda aula né? Sete horas da manhã não é hora para uma conversa cheia de disposição. Depois das oito ficava mais fácil. Sei lá, nós fomos construindo pontes. Pontes emocionais tão fortes que hoje fazem de você o meu melhor amigo, mesmo que não seja o único. Relaxa, você é único em outros quesitos. Você é o único que eu queria me abraçando, nesse segundo. Você é o único que eu queria chamar pra correr, chamar pra ir ao cinema ver o meu filme preferido e sem dúvidas, é o único que eu pararia pra pensar quando entrasse numa livraria. Nós temos tanta coisa em comum, mas somos tão diferentes. Essas diferenças me assustam, me fazem correr de você. Só não é literalmente, porque você está longe e isso me dá um alívio. Espero ter superado isso quando te ver de novo. A vida nos separou, mas não definitivamente. Será que não tem um motivo subentendido? Uma frase que é para a gente ler nas entrelinhas? Eu espero que sim. Eu espero que nossas diferenças, façam mais sentido um dia. Porque por maiores que elas sejam, minha vontade de contar pra você dessa minha vontade de falar contigo e ouvir tua voz todos os dias é enorme. Minha vontade de dizer que você é idiota e convencido mas eu adoro isso em você. Queria te apresentar pra minha família, mas antes conhecer a sua. Inteirinha por sinal. Parei pra refletir no que eu estou escrevendo aqui, sentadinha no escuro e eu até ri de mim. Você nunca vai saber disso, nunca. Dessas minhas loucuras, dos meus sonhos bobos e principalmente dos meus sentimentos tão incertos. Você nunca vai saber. Isso é uma promessa. Você sabe o quão problemática eu sou, o quão cheia de defeitos e principalmente: o quão ruim nessa arte de amar. Eu só fiz besteira até hoje, sabe? Você merece mais do que isso. Alguém que não vai te dar trabalho, alguém que não vai te dar dor de cabeça. Eu me preocupo contigo, bastante. Só tento não te sufocar com a minha presença, porque ainda vou precisar da sua durante uns bons anos. Você me faz bem. Dá pra ver, né? Eu não saio do seu pé. Eu te amo, como eu nunca amei outro cara e é por isso mesmo que você nunca vai saber da profundidade, da densidade dessa coisa que eu teimo em sentir quando penso em você, no seu sorriso e no que você diria se estivesse aqui comigo.

— Raquel Lopes.